Amigos do Rogers

9 de setembro de 2007

A Última Revolta de Jesus Cristo


Para Sinvaldo Jr, que sempre achou que Jesus deveria ter morrido por algo melhor.

Doía, muito doía, e não havia nada que pudesse fazer para estancar o sangue, que escorria, em jorro. A impotência doía. Doía, e não enxergavam, não viam – ou não queriam ver? Doía, e não era dor pouca, pois em todos os momentos se vira sozinho, todos desapareciam, sua única companhia era o desgosto, era. As aves no céu voavam, indiferentes. E doía. Agora percebia, enfim, que doía, e não só percebia como sentia agora todas as dores passadas, agora. A solidão. A ausência machucava, doía. A ferida aberta, e os vermes vindouros. As mãos doíam, e muito. As pernas doíam, e muito. O tronco doía, muito. A flechada, os cuspes, a coroa, os espinhos – tudo doía. Os sacarmos era o que mais feriam, doíam. Os risos. Os socos tão-somente neste instante sentia, e doíam, como socos dados em vão, porque em vão foram. Apenas serviram para aumentar a dor. A hostilidade. Valeria o sacrifício, valeria?


>>> Conto publicado nas antologias Portal Solaris e Retalhos
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