Amigos do Rogers

9 de abril de 2012

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Altas literaturas, de Leila Perrone-Moisés.


"A literatura, que durante séculos ocupara um papel relevante na vida social, tornou-se cada vez menos importante. Na "sociedade do espetáculo" (Guy Desbord), a escrita literária fica fica confinada a um espaço restrito na mídia, pelo fato de se prestar pouco à espetacularização".

"O desafeto progressivo pela leitura é um fenômeno internacionalmente reconhecido. Leitura exige tempo, atenção, concentração, luxos ou esforços que não condizem com a vida cotidiana atual".

"...para concorrer com os outros meios de comunicação, os livros atuais e futuros precisarão ter mais atrativos do que aqueles ocultos pelas letras".

"Os novos escritores, afinados com os hábitos alimentícios deste fim de século, publicam livros light, para serem consumidos rapidamente".

"A literatura do século XVIII até meados do século XX tinha a ambição de conhecer e a coragem de inventar, dentro (embora formalmente à margem) de um projeto amplo para o homem e a sociedade".

"...a pós-modernidade parece existir mais na teoria do que na prática, e as discussões teóricas a seu respeito já apresentam sinais de exaustão".

"Os limites entre a conscientização e a doutrinação dos alunos desapareceram".

"O livro de (Harold) Bloom é (...) declaradamente logocêntrico; o cânone de Bloom é anglo-cêntrico e ego-cêntrico".

"Lévi-Strauss, acusado pelos neoconservadores franceses de ser o responsável por um relativismo pernicioso, explicou que assim como defendia o direito de cada cultura à autopreservação, ele se reservava o direito de querer preservar a sua, ocidental e francesa".

"A luta não se trava mais entre concepções diferentes da cultura, entre a cultura e a contracultura, alta cultura e cultura de massa, mas entre cultura e a descultura pura e simples".

"A globalização, falsa universalização do mundo pela economia, tende não a unir, mas a unificar (a indiferenciar) os repertórios pelos meios de comunicação".

"Esse Ocidente que venceu todas as guerras, infelizmente, não é o das Luzes, o das "artes e letras", dos trovadores medievais aos artistas revolucionários da Modernidade; é o o Ocidente da dominação econômica e da padronização do imaginário, sem apoio em ideologia alguma a não ser a da técnica e do lucro".

"A alta cultura, a criação desinteressada, ou interessada em ampliar o conhecimento e a experiência humana, em aguçar os meios de expressão, em despertar o senso crítico, em imaginar outra realidade, tudo isso está ameaçado de extinção".

"Sem utopia, a história é aceita como fatalidade".

"Atualmente, a literatura parece contentar-se com espelhar uma realidade fragmentada, desprovida de valores e, portanto, de utopia".

"Quando morre um escritor, diz Blanchot, os jornais costumam dizer que "uma voz se calou"; poderíamos então supor que, morto o último escritor, haveria um grande silêncio".

"Se todas as minorias reclamam os seus direitos, por que não os reclamaria a minoria representada pelos leitores de alta literatura?"