Amigos do Rogers

10 de junho de 2012

Porão do Manicômio - Parte 3

Mais opiniões sinceras de Glenio Cabral (escritor) sobre Manicômio, de Rogers Silva >>>


"As imperfeições do nosso amor: um texto perturbador. Perturbador porque é contraditório, repleto de antíteses em suas mais variadas formas. Não há consenso em um único momento. Enquanto o lemos, somos levados de um lado para o outro como um barco à deriva. Instintivamente, enquanto lia cantarolava “Monte Castelo”, do  Legião Urbana. Acho
que alguns textos naturalmente têm uma trilha sonora.  O “cego-luz”, centro de todo o discurso, é o pilar de onde saem todos os paradoxos. Tudo vai nele e sai dele. E sai como ele é, distorcido, sem direção, uma bagunça. O texto é forte. O turbilhão de palavras às vezes confunde. Mas também dá pra sentir a força de cada uma dessas palavras, meticulosamente escolhidas. Parabéns pela escolha das palavras. As palavras são o grande diferencial desse texto.

·    Meus olhos verdes: piração, esse livro. Quando eu já vinha me acostumando com as altas viagens, eis que me deparo com “Meus olhos verdes”. Uma novela simples, uma história de amor, traição e surpresas. Como um conto assim poderia estar presente em Manicômio? A sensação que tive foi que eu vinha a 1.000 por hora, e de repente brequei. Senti-me um pouco seguro, enfim. Pela primeira vez, sentia-me dono da situação. Em todo o momento o leitor é inserido dentro da novela pelo narrador. Somos apresentados aos personagens, aos seus dramas, aos seus ambientes. A narrativa nos aproxima ao máximo de cada personagem. Eu posso dizer que os vi, não com a força da minha imaginação, mas com a narrativa deste conto. Vi e me constrangi. Constrangi-me diante dos dramas. Fiquei com raiva da Jéssica. Até agora não entendi. E muito menos o Geisel. E o que parecia ser um conto simples e de pouca profundidade, mexeu comigo. O conto é longo. Mas não cansa. Parei de lê-lo algumas vezes, mas sempre desejando retornar à leitura. Ele fisga. Um ótimo texto.

·   Uma viagem estática: a grande surpresa do livro. Linguagem simples, objetiva, fácil. Do jeito que eu gosto. Já li muitos livros de contos, mas o recurso utilizado aqui como forma de observar a mesma situação numa outra perspectiva foi nova pra mim. Muito criativo da parte do autor. A linguagem é clara, as peças vão se encaixando e o quebra-cabeça se arrumando. Excelente artifício.

·    A última revolta de Jesus Cristo: um dos melhores textos do livro. O que mais gostei foi do humor ácido extravasado nas últimas linhas. Sou um amante do humor, e o final do conto foi de matar de rir. Rir em Manicômios? Pois é, mais uma surpresa. Se bem que os loucos adoram gargalhar também. Parabéns pela tensa abordagem psicológica do Filho de Deus. Como cristão, fiquei impressionado. E chocado também. Seu texto me incomodou, devo admitir. Incomodou-me pela fé que professo. Mas não a ponto de não admirá-lo pelo que ele é: uma divertidíssima e ácida crítica à raça humana".


* Em breve, mais opiniões sinceras de outros leitores sinceros.
** O livro Manicômio será publicado em julho de 2012.