Amigos do Rogers

27 de março de 2013

Meus olhos verdes (fim)

Por Rogers Silva

* Os capítulos 38 e 39 podem ser lidos AQUI

40 –

Hoje, véspera de Natal, nove dias após o mencionado anteriormente, Geisel está do mesmo jeito que o encontramos no começo desta narrativa, refletindo, pensando em coisas diversas, sentado numa cadeira, prostrado numa mesa pequena, se perguntando dos porquês de Jéssica demonstrar tanto amor por ele. Perguntando-se do motivo de existir dor se apenas tem vinte e um anos. Perguntando-se... Assim o encontramos neste exato momento. Depois de sair do hospital, ele veio embora intencionado em mudar de vida, esquecer o passado, bloquear o telefone (o que de fato fez) para não ser procurado por pessoas com quem não estava afim de conversar. Procurou não ficar em casa (e realmente pouco ficou. Vinha, quase sempre, exclusivamente para dormir), não conversar ninguém sobre o assunto passado (Jéssica), fazer de tudo para esquecê-la. É muito cedo para dizer se conseguiu e se os artifícios adiantaram... Deixemos o tempo passar... (Enquanto isso, riamos dele. Que seja um riso irônico ou sem graça. Mas riamos).

41 -

Há pouco ele tentou (em vão) encontrar palavras para a feitura de um poema. Forçou bastante, mas não as encontrou. “Não, eu não sou poeta”. À beira da pequena mesa em que estava prostrado, de súbito, surgiu-lhe uma imensa vontade de gritar. Não gritou. Levantou-se. Foi para o quarto. Não mais que repentinamente também lhe surgiu uma frase de efeito. Já no quarto, ao olhar por alguns minutos ao espelho surge-lhe a frase. Voltou à mesa. E, para terminar o seu conto (habilmente disfarçado em terceira pessoa. E agora, riamos? Não. Não tenho motivos para risadas. Ria sozinho) – então, para terminar o conto escrevo o que há pouco me veio, subitamente, ao ver minha triste e patética imagem refletida:

“É por esses olhos vermelhos, Jéssica
Que eu te odeio”


Fim.

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