Amigos do Rogers

30 de março de 2012

Mais sobre o 'Manicômio'


"Seu livro é denso, difícil, complicado. Exige muito do leitor. Por densidade e complicação não entenda ausência de conteúdo ou sequência desconexa de ideias. De forma alguma. Em todos os contos percebi claramente uma história ou “viagem” muito bem organizada, com início, meio e fim. A questão é que seu livro é totalmente visceral.  Tudo é muito intenso, sem subterfúgios, direto na ferida. Mas o direto na ferida é viajante, é submerso em devaneios, encharcado em loucuras. Confesso que não tenho o hábito de ler esse tipo de literatura.  Por isso, talvez, tenha sentido algumas dificuldades. Se eu estivesse numa livraria e me deparasse com seu livro, muito provavelmente não o compraria. Por quê?" 

N'O BULE, mais opiniões sinceras sobre o meu livro de narrativas, o Manicômio. É só clicar AQUI.

22 de março de 2012

CorraAtrásDessesLivros V

Sugestões de leitura:

Angústia, de Graciliano Ramos – Não há dúvida de que Graciliano Ramos é um dos maiores escritores brasileiros. A dúvida é: qual sua melhor obra? Vidas secas? Memórias do cárcere? São Bernardo? Na minha opinião, Angústia, esta sim sua obra maior, mais visceral, escrita com ódio, mas de um ódio literário e comedido, saturado de uma coisa parecida com humanismo.



Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez – Para muitos, uma das dez maiores obras literárias de todos os tempos. Mentira? Exagero? Leia e tire suas próprias conclusões. Apenas posso dizer duas coisas: 1) na minha lista das dez melhores, Cem anos de solidão tem vaga garantida e vitalícia; 2) não morra sem lê-la, porque com certeza morrerá mais vazio(a).


* A campanha CorraAtrásDessesLivros é criação d'O BULE, onde foi primeiramente publicada e onde há várias sugestões de outros escritores e leitores.

19 de março de 2012

Um Livro, Várias Mãos: Sorteio de 'Cavalo alado', de Angela Togeiro


"Angela Togeiro tem seu estilo fortemente acentuado, atuando sempre mais como descobridora de que seguidora de caminhos. Na realidade ela sabe ser fortemente original.

Torna-se óbvio que numa coletânea de vinte e nove contos uns hão de ser melhores do que os outros, embora todos tenham méritos, mas, como não existe nada mais subjetivo do que as avaliações estéticas e literárias, os critérios de seleção variam de pessoa para pessoa. Contudo, o que ninguém pode negar é que nos contos e em todos os escritos de Angela Togeiro nunca faltam talento e garra literária. A autora sabe perfeitamente o que quer e até onde pode ir.

Um dos muitos fatores que recomendam favoravelmente os contos de Cavalo Alado é a extraordinária facilidade de comunicação, visto que, embora sempre com talento e classe, Angela Togeiro escreve de maneira despretensiosa e simples, qualquer coisa assim como se estivesse dialogando com os leitores..."

José Afrânio Moreira Duarte
Academia Mineira de Letras

*** ***

Para participar do sorteio do livro Cavalo alado, de Angela Togeiro:

- Primeiramente, é preciso ser seguidor deste blogue. Caso ainda não seja um seguidor, aproveite para se tornar e participar do sorteio.
- Depois, vá ao Twitter e poste a seguinte mensagem: RT @rogerssilva Concorra ao livro 'Cavalo alado', de Angela Togeiro. Saiba em http://bitly.com/baWkp8 #umlivrováriasmãos
- Caso não possua Twitter, ajude na divulgação criando uma postagem sobre o sorteio em seu blogue. Caso não possua nem Twitter nem blogue, divulgue o link da postagem em seu Orkut ou Facebook.
- E, para facilitar o contato do autor com o vencedor do sorteio, pode enviar o seu endereço de e-mail pelo Formulário de Contato. Caso não envie o seu e-mail, o contato será estabelecido pelo Twitter.

** A promoção é válida até o dia 03 de abril **

16 de março de 2012

1º Cafetel Literário


Vem aí o 1º Cafetel Literário! Todos nós brasileiros e, especialmente, os mineiros adoramos sentar, jogar conversa fora enquanto tomamos um saboroso café. E café combina, e muito, com artes, com literatura, não?
Assim, os sites O BULE e Página Cultural decidiram inaugurar um espaço/tempo para conversas, exposição e vendas de livros, troca de idéias, leituras dramáticas, púlpito poético e saraus digitais. E todo o evento contará com uma cobertura ao vivo pela internet e pelas redes sociais, como blogues e sites, Orkut, Facebook e Twitter! Não é legal?
Tudo isso, e muito mais, ocorrerá no dia 22 de março, quinta-feira, a partir das 19h, na Cafeteria Vozzuca (Praça Rui Barbosa, nº 09, Centro, Uberlândia-MG), com entrada franca.
E como se trata de um cafetel literário, o coquetel é cortesia da casa! Além de boas conversas e boa literatura, poderá esperar cafés diversificados e deliciosos. Esperamos sua presença, ok?
E para aqueles que se interessarem em participar da exposição e vendas de seus livros de forma gratuita (ótima maneira de divulgar sua obra!), de leituras dramáticas de poemas de autores clássicos, do sarau digital (outra ótima maneira de divulgar sua obra!), do púlpito poético, entrem em contato conosco: rogers.silva@yahoo.com.br (Rogers Silva) / pagcultural@gmail.com



Quem precisa de escritores?


Se o vídeo estiver bloqueado para visualização em sites e blogues, é só clicar AQUI e assisti-lo no Youtube.

13 de março de 2012

Conheça os ensinamentos de Poe

O que Edgar Allan Poe, Machado de Assis e Fernando Pessoa possuem em comum? Saiba lendo a resenha Os ensinamentos de Poe, de Sinvaldo Júnior, no site Página Cultural. AQUI.

9 de março de 2012

Lançamento de 'Gabriel', de Claudio Parreira




Tendo como companheiros um ex-poeta bêbado e filosófico, uma mocinha nada virtuosa e centenas de retratos de Marilyn Monroe, o leitor descobrirá em Gabriel, romance de Claudio Parreira, que nem tudo é o que parece, que o Sagrado muitas vezes veste as calcinhas do Profano e que o pecado, nem sempre, conduz ao inferno.
Gabriel, porém, não é mais o mesmo. Os homens mudaram. Ao anjo não interessa mais as coisas do Céu, e a Terra com a qual se depara parece ter sido abandonada definitivamente por Deus.
Dividido entre a fé e a indignação, o desejo e a raiva, Gabriel vaga por uma cidade sombria e em constante mutação, experimentando — e também curtindo — os absurdos da modernidade.
Sobre o autor:
Claudio Parreira é escritor e jornalista. Foi colaborador da Revista Bundas, do jornal O Pasquim 21, Caros Amigos online, Agência Carta Maior, entre outras publicações, como as coletâneas Contos de AlgibeiraFiat Voluntas TuaDimensões.BrPortal 2001 e também na Fantástica Literatura Queer.  Recebeu ainda Menção de Honra para o conto O Jardim de Esperanças (Der Garten Der Hoffnungen), da Revista de Assuntos Latino-Americanos XICOATL, Áustria, em 1996. Mora em São Paulo, SP. blog http://claudioparreira.blogspot.com/ twitter @ClaudioParreira

7 de março de 2012

Satã rouba a cena

Por Sinvaldo Júnior
.

Se a história de Noite na taverna, de Álvares de Azevedo, acontecesse hoje em dia, seria mais ou menos assim: alguns amigos em um boteco (puteiro?) bebendo e filosofando sobre a vida, destilando sua erudição, com direito à citação de Hoffmann, Spinoza, Hume, Schelling, Homero, Platão, Schiller etc. É assim que se inicia o livro, mas em uma taverna, nos meados do século XIX, com muito vinho e mulheres ébrias e macilentas deitadas ao chão.

Nesse ambiente de taverna, noite, bebedeira, filosofia, mulheres macilentas, exclamações, fumaça, brindes (Senhores, em nome de todas as nossas reminiscências, de todos os nossos sonhos que mentiram, de todas as nossas esperanças que desbotaram, uma última saúde! (...) Ao vinho! Ao vinho!), alguém sugere uma contação de história, daquelas sanguinolentas, fantásticas, até absurdas (no bom sentido do termo), como as de Hoffmann, medonhas. Solfieri então começou.

Era em Roma, a cidade do fanatismo e da perdição. A noite estava bela. Solfieri encontra uma mulher pálida à noite. Segue-a até o cemitério. Ali adormece, espreitando-a. Um ano depois, de volta a Roma, após uma orgia, ao entrar na igreja de um cemitério sem perceber (estava bêbado), Solfieri se depara com a mesma jovem, mas agora morta. Tomou o cadáver nos braços. Mil beijos nos lábios sudário rasgado despida do véu gozo fervoroso. Àquele calor do peito de Solfieri, a donzela pálida parecia reanimar-se. Súbito abriu os olhos embaçados. Catalepsia? Mas ao acordar desmaiara. Solfieri carrega então o “cadáver” pelas ruas. Chega ao seu aposento. A mulher desadormece. Riso convulso. Insanidade. Dois dias e duas noites levou ela de febre. Morre. Após tudo isso, ela merecia uma estátua – foi o que Solfieri mandou fazer em sua homenagem.

De volta à taverna... Outro conviva se levantou: Bertram. Começou então a contar sua história com Ângela, a donzela espanhola e morena. Amava muito essa moça, mas quando estava decidido a casar-se com ela, precisou partir da Espanha para Dinamarca, onde seu pai o chamava. Soluços, lágrimas de esperança, beijos, promessas de amor, de voluptuosidade no presente e de sonhos no futuro. Partiu, enfim. Dois anos depois voltou. Mas Ângela já estava casada e tinha um filho. Então, como viver aquele amor que não morrera, nem por parte dele nem por parte dela? Enquanto o marido não soubesse, tudo poderia ser feito nas sombras de um jardim, mas um dia o marido soube de tudo. E marido traído é igual a Otelo. Ora, havia uma maneira de viver esse amor: Ângela mata o marido degolado e o filho. Por amor. Amor? Tudo resolvido, viveram uma vida insana, num viajar sem fim, aventuras, em noites belas. Porém, um dia ela partiu. Partiu, mas sua lembrança ficou como o fantasma de um mau anjo perto do leito de Bertram.

A história de Bertram é longa; não acaba aí não. Uma noite, ao cair bêbado às portas de um palácio, ele foi pisado por uns cavalos e por uma carruagem. O povo desse palácio o acudiu – um nobre viúvo e uma beleza peregrina de dezoito anos. Bertram a desonrou. Roubou-a do fidalgo que lhe dera abrigo e fugiu. Após enjoar, vendeu-a para um pirata, que logo na primeira noite foi morto por ela, que, por sua vez, afogou-se. Um dia, na Itália, Bertram tentou suicidar-se; alguém o salvou, mas esse alguém morreu afogado por tentar salvá-lo. Ô sina! Quando recobrou os sentidos, estava num escaler de marinheiros. O comandante gostara dele. Mas trazia a bordo uma bela moça, sua mulher. O leitor certamente imagina o que aconteceu. Amaram-se! Em alto-mar, após um combate sangrento entre navios, sobraram cinco: Bertram, a mulher do comandante, o comandante e dois marinheiros. Dias se passaram, a parca comida acabara. Os dois marinheiros morreram. Restaram, então, Bertram, a mulher/amante e o comandante. É aí que entra a antropofagia. Mas não falo, caro leitor, da antropofagia literário-artística da Semana de 22 não! Falo da outra: Bertram e a amada comem o comandante. Após toda essa aventura e sofrimento, de repente o nosso protagonista sentiu-se só, porque a amada não resistira:

Uma onda me arrebatara o cadáver. Eu o vi boiar pálido como suas roupas brancas, seminu, com os cabelos banhados de água; eu vi-o erguer-se na escuma das vagas, desaparecer e boiar de novo; depois não o distingui mais: era como a escuma das vagas, como um lençol lançado nas águas...

Agora é a vez da história de Genaro. Aprendiz de pintor em casa de Godofredo Walsh, Genaro desonra a sua filha de 15 anos, Laura, mesmo apaixonado por Nauza, a esposa de Godofredo. Laura diz ter engravidado. Adoece – cada dia torna-se mais pálida, mas a gravidez não crescia. Em seu leito de morte, ela chama Genaro: murmura que matara o filho deles antes de nascer. Laura enfim morre. Genaro, enquanto o velho chora a morte da filha, se declara a Nauza, que também o ama: E as noites que o mestre passava soluçando no leito vazio de sua filha, eu as passava no leito dele, nos braços de Nauza. Um dia, após um surto do velho, Genaro lhe confessa sobre a filha, o “namoro”, o aborto, a morte dela – tudo. O mestre então, depois, finge esquecer tudo. Uma noite, após a ceia, o mestre Walsh tomou sua capa e uma lanterna e chama Genaro para acompanhá-lo. Em frente a um despenhadeiro o velho lhe propõe o suicídio, uma forma de se desculpar por tudo que fizera. Genaro se joga ou Walsh o empurra? Mas não morre. É resgatado. Volta à casa do velho – se humilhar, mostrar-se arrependido ou se vingar? Nem um nem outro. Uma surpresa trágica o espera.


Chegou a vez de Claudius Hermann, que inicia sua história se gabando: em Londres, ninguém ostentava mais dispendiosas devassidões, nenhum nababo numa noite esperdiçava (sic) somas como eu. O suor de três gerações, derramava-o eu no leito das perdidas, e no chão das minhas orgias... Numa corrida de cavalos, conhece uma mulher. Apaixona-se. Essa mulher era a duquesa Eleonora. Claudius, então, começa a segui-la até o palácio. Ao encontrá-la dava-lhe narcótico a fim de, uma vez ela em sono profundíssimo, amá-la. Decidiu raptá-la, o que fez após lhe dar um narcótico fortíssimo. Eleonora enfim acorda. Desespera-se: está com um estranho, num lugar estranho. Depois de muitos choros, dramas, relutância, tentativa de convencimento, a duquesa decidiu ficar com Claudius. Aqui parou a história de Claudius Hermann.

__ E a história, a história? – bradou Solfieri.
__ E a duquesa Eleonora? – perguntou Archibald.
(...)
__ E a duquesa?


Claudius soltou uma gargalhada. Caiu ao chão. Estava ébrio como o defunto patriarca Noé, o primeiro amante da vinha.

Johann é o próximo, dos amigos na taverna, a contar sua história. Era em Paris. Jogava bilhar com Artur, que venceu o jogo. Mas que encostara, voluntariamente ou não, na bola. Johann olha para ele com raiva, ao que o outro responde com um riso de escárnio. Johann dá-lhe uma bofetada. O moço saca de um punhal. A turma do “deixa-disso” impede o avanço do esbofeteado, que rasgou nos dentes uma luva e atirou-me à cara. Era insulto por insulto, lodo por lodo: tinha de ser sangue por sangue. Exagero? Mas é o que acontece. Antes do acontecimento fatídico, do duelo de morte, muitas peripécias, com direito a carta, lágrimas, anel, brindes, bebida – tudo a criar um mistério extra. Enfim, as pistolas se encostaram nos peitos. As espoletas estalaram, um tiro só estrondou... Depois de tudo isso, o autor ainda colocou muito incesto na história. Ô Álvares!

Enfim chegamos ao capítulo final de Noite na taverna, de Álvares de Azevedo: Um beijo de amor. Surpresas. Surpresas inverossímeis? Mais tragédias, mas essas acontecidas ali, na taverna, entre os amigos contadores (inventadores?) de histórias. Contarei mais não. Leiam. É uma leitura deliciosa, inclusive para os jovens da atualidade, alguns dos quais com suas vidas parecidas com as dos personagens do livro, embora em outro contexto, completamente diferente daquele. É certo que, apesar de escrito por um autor brasileiro, nada possui de literatura brasileira, uma vez que nada ali espelha a história, o espaço, o clima, a vegetação, os costumes brasileiros. No entanto, esse fato não diminui o valor da obra, que é universal, tendo em vista que hoje vários leitores se identificariam (identificarão) com as suas discussões, as tragédias e desventuras ali narradas. Leiam e verão.


Em Macário, Satã rouba a cena

O prefácio de Macário é um pequeno tratado de Álvares de Azevedo sobre o drama (o gênero dramático): Haveria enredo, mas não a complicação exagerada da comédia espanhola. Haveria paixões, porque o peito da tragédia deve bater, deve sentir-se ardente; mas não requintaria o horrível, e não faria um drama daqueles que parecem feitos para reanimar corações cadavéricos, como a pilha galvânica as fibras nervosas do morto! Nessas obras dramáticas, a vida e só a vida! Mas a vida tumultuosa, férvida, anelante, às vezes sangrenta – eis o drama. Mas esse drama (Macário) que aí vai, diz o autor, não é exatamente o espelho de sua teoria, o seu tipo ideal, a sua utopia dramática. É um rascunho.

Mas é um ótimo rascunho, leitor. Nessa espécie de esboço de obras que seriam mas que não foram escritas, Álvares de Azevedo cria personagens interessantíssimos, os principais dos quais Macário, Satã e Penseroso. No entanto, embora não dê título à obra, é Satã que rouba a cena, porque é o personagem mais inteligente, mais sagaz, mais irônico. E, pelo menos como pintou Álvares de Azevedo, o mais sensato e racional, que destila sua verdade crua mas verdade. Há, ora nas palavras de Satã, ora nas palavras de Macário, ora nas palavras de Penseroso, tanta verdade e tanta reflexão, dos tipos universais porque hoje ainda elas soam familiares. Vejam:

É uma coisa singular esta vida. Sabes que às vezes eu quereria ser uma daquelas estrelas para ver de camarote essa comédia que se chama o universo? Essa comédia onde tudo que há mais estúpido é o homem que se crê um espertalhão? (...) A filosofia humana é uma vaidade. (Macário)

Quem sabe onde está a verdade? Nos sonhos de poeta, nas visões do monge, nas canções obscenas do marinheiro, na cabeça do doido, na palidez do cadáver, ou no vinho ardente da orgia? (Macário)

A vida está na garrafa de conhaque, na fumaça de um charuto de Havana, nos seios voluptuosos da morena. Tirai isso da vida – o que resta? (Macário)

Bastaria citar vários trechos da obra, diálogos entre Macário e Satã sobretudo, para o leitor ter uma idéia da profundidade e complexidade de Macário. A primeira parte da obra (nomeado de Primeiro episódio – Numa estalagem de estrada) é simplesmente genial. A segunda parte (Segundo episódio – Na Itália) é menos bom, mas quando Satã reaparece em cena, os momentos de reflexão sobre a vida mais deliciosos voltam, e tudo volta a ser genial e prazeroso. Em Macário a descrição e a ação são o menos importante; o mais importante são a reflexão e os diálogos entre os personagens: Macário x Satã; Macário x Penseroso. São páginas de filosofia da boa, daquelas despretensiosas mas profundas – sobre a poesia, sobre a esperança, sobre os mistérios das mulheres, sobre a vida.

A partir da leitura de Noite na taverna e de Macário, percebe-se que Álvares de Azevedo era um gênio que não aproveitou toda a potência de sua genialidade, pois morreu cedo demais, antes de completar 21 anos de idade. É impossível não tentar pensar no que ele poderia ter escrito, se tivesse vivido mais alguns (ou muitos) anos. Seria ele uma espécie de Edgar Allan Poe, o nosso Poe, com seu veio ultra-imaginativo e suas histórias de amor e morte? Não estaria ele no rol dos maiores gênios da literatura brasileira? São questões que não serão respondidas, mas que instigam os leitores de Álvares de Azevedo e da nossa literatura.


¨¨ Sinvaldo Júnior é um personagem do livro de narrativas Manicômio, de Rogers Silva. Nasceu e vive em Uberlândia-MG. Possui graduação em Letras pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU. Possui Mestrado em Teoria Literária (UFU) e Mestrado em Administração (UFU), com ênfase em organizações envolvidas em Artes & Cultura. Publicou artigos acadêmicos e jornalísticos em diversos sites, revistas e jornais. Atualmente é doutorando em Literatura pela UNESP. É pesquisador das obras de Campos de Carvalho e Drummond ¨¨

4 de março de 2012

'A última revolta de Jesus Cristo' em Portugal


Meu conto A última revolta de Jesus Cristo foi publicado na revista portuguesa Triplo V. Para quem ainda não o conhece e deseja conhecê-lo, é só clicar AQUI. Conto curto e grosso!

1 de março de 2012

À procura de leitores críticos (Ou troca-troca)


Queridos,

o meu livro de narrativas Manicômio será publicado em julho de 2012 pela Lei de Incentivo à Cultura. Embora tenha passado por uma comissão (que avaliou aproximadamente 200 projetos e aprovaram apenas 30), tenho consciência da importância da leitura crítica e avaliação do chamado leitor beta (aquele leitor que está disposto a ler a obra com o olhar mais crítico possível e, com isso, apontar falhas, defeitos e sugestões). Assim, estou à procura de leitores beta (escritores) que também estão prestes a publicar o seu livro. É simples: se você, assim como eu, publicará o seu livro ainda esse ano, é só entrar em contato comigo pelo Formulário de Contato, aí conversarmos sobre ambos os livros e, se entrarmos num acordo, eu te envio o meu livro pra sua leitura crítica enquanto faço minha leitura crítica (com a promessa de comentários sinceros) do seu livro. Se interessa? Então entre em contato comigo AQUI.

Abraços!
Rogers.

Porão do Manicômio - Parte 1

Queridos e fiéis leitores,


Aqui, neste blogue, republicarei a série Porão do Manicômio (livro de narrativas de minha autoria que será publicado em julho de 2012), postada n'O BULE. Do livro fazem parte, dentre vários outros, os contos:


Dada a cena que esmaga a minha mente já esmagada (se não, não estaria aqui, e assim), decidi, por unanimidade, ou seja, um voto a zero, suicidar-me. Vejo palhaços, e sinceros (o que é pior) mortos, com um sorriso nos rostos, em rostos (para ser mais exato) feios e iguais ao meu – por isso do meu arrependimento e da conseqüente decisão de me matar, porque não vejo, por enquanto, alternativa melhor (se tem, por favor, venha me informar qual, no máximo em vinte minutos).

Quando Josi veio vindo chorando, pela primeira vez entrou chorando no meu apartamento, sempre entrava feliz, sorrindo, quando ela veio vindo me abraçando, pensei: O que será? Eu te amo eu te amo eu te amo, saiba, insistia em dizer. Sei, murmurei. E eu também. Mas..., começou. Não terminou. Por quê?, perguntou. E eu sabendo do que se tratava falei: Você é insubstituível.

Como pode duas pessoas se amarem tanto, ao cúmulo da anulação mútua? Como pode? Desiludida com as respostas foi para a beira do mar, avistou uma gaivota lá longe, ínfimo branco sobreposto à imensidão azul, sorriu, quão belo é o mundo, quão bela é a vida, meu Deus, mas quão angustiante – e se jogou. As ondas a levaram, para onde, se perguntava a filha, a garota que perdeu a mãe, para onde, se perguntava o marido, o surdo e seus olhos de gato.

A falta que você me faz é semelhante ao mal que você me faz. A falta – a que fui obrigado a render – dói. A falta, a ausência doem, meu Cego-luz (prefiro assim). Com você, a falta do sublime, do transcendental. Sem você, a falta de você. Tudo é ausência. Como me acostumar a um mundo onde tudo é ausência? Com você (porque você insiste em não querer transgredir), a mesmice enfim. Seu amor é pouco: não se entrega. Às vezes preferiria que fosse uma paixão ardente, passageira, mas sublime, feita de instantes intensos e inesquecíveis.

Eu sentia a respiração da Clarissa, távamo muito perto, o pradão era pequeno e apertado e tava até meio escuro lá dentro. Eu ia falá alguma coisa mas ela disse shhhiii e colocou o dedo na minha boca. Távamo pertinho um do outro e ela foi assim chegano, chegano e pegou na minha mão. Eu tremi e senti uma coisa estranha. Credo. Aí então ela me deu um beijo na boca assim tão rápido e aí o Felipinho apareceu e gritou Clarissa e Hugo! Peguei! A Clarissa correu bem depressa mas eu fiquei paradinho dentro do pradão sentino aquele gosto estranho além do friozinho. À noite, na cama, eu pensava que Clarissa era minha namorada e beijava o travesseiro e sentia uma coisa boa mas estranha. E chorava. Mas não chorava assim de dor ruim. Era bom.

Cometas e eclipses foram feitos para nós, nós dois, e se cometas não caiem na Terra é porque sabem que aqui estamos nos amando, sempre nos amando, e se alguma vez a lua se sobrepor ao sol, minha luz, o espetáculo é nosso, sim, é para nos vangloriarmos, porque tudo foi feito para nós, basta querer, basta querer que o mar caiba aqui nessa minha mão fechada e ele caberá, e juro que nenhuma gota cairá, não deixarei nenhuma gota cair para poder te presentear o mar, o mar inteiro, todo o mar que existir só para você, somente para você, vem, pegue, aqui está o mar na minha mão fechada, vem logo meu amor, vem logo que ele pode secar.


E em breve, algumas curiosidades (as homenagens, as inspirações, os personagens históricos e os retomados de outra obra, os manuscritos dos contos, as músicas da trama) sobre essa casa de loucos!


Abraços, beijos do
Rogers.