Um trecho de 'Crisântemo' - Ao som de rock
Por Gustavo Coelho e Sinvaldo Júnior “Olhei para cima. O céu estava espetacular, um negrume profundo pilhado de estrelas, como só acontece longe das luzes da cidade. A Via Láctea se estendia como pinceladas de giz divino. Mas a beleza que deslumbrava também colocava tudo em perspectiva, e uma tristeza profunda bateu forte, mas por causa dele, de Lucas, que estava quebrado demais para conseguir apreciar uma noite como aquela. Nesse instante de paz, uma ruptura: bem longe, atrás de um monte, ao fixar minha vista em um ponto qualquer daquela escuridão, eu ouvi uma cascata de sons que fez o meu chão tremer, o grito longo e áspero do aço se dobrando sobre si mesmo e o estalo final de mil fragmentos de vidro. E então, o silêncio. Um silêncio absoluto, pesado. Gelei. Meu corpo, uma estátua de pavor. Um pneu? Um animal na pista? Minha mente tentava, desesperadamente, encontrar uma explicação lógica, uma resposta que não fosse aquela. Mas era inútil. ...









