Amigos do Rogers

1 de fevereiro de 2014

'Amor à vida' e a hipocrisia da sociedade


A gente conhece um pouco de uma sociedade a partir do personagem para o qual ela torce em uma novela. Ok, pode parecer exagero, mas vamos pra análise rasteira (confesso). 

Ao amar e torcer pelo final feliz de um personagem como o Félix (que cometeu crimes e atrocidades como omissão de socorro, homicídio qualificado por motivo torpe, estelionato/corrupção ativa, tentativa de homicídio triplamente qualificado, lesão corporal, sequestro) e, por outro lado, odiar e torcer contra um personagem como o César (que, pasmem!, cometeu um único "crime", o de adultério! E em uma sociedade em que 70% confessam que traem...), dá pra perceber o quão moralista e hipócrita essa sociedade é. Um ato contra a moral cristã, construída socialmente (sim, por mais que não queira aceitar, a monogamia é uma verdade construída socialmente e devidamente comprovada, pela ciência, como anti-natural) - um ato contra a moral cristã não pode. Mas várias atrocidades contra a ética universal - universal justamente por ser aceita por quase tudo e todos, em todos lugares e épocas - podem e são esquecidas facilmente. 

Novela é uma ficção torta e mal feita que demonstra o quão real essa sociedade é. Demasiadamente real. Demasiadamente humana. Demasiadamente hipócrita.