Quem sou eu, minhas influências, meu novo livro no podcast Vozes do Cerrado
Hoje eu compreendo que minha identidade literária é inseparável das minhas raízes na periferia de Uberlândia, Minas Gerais. Minha trajetória foi marcada por uma transição profunda: saí da vida simples e sobrevivência limitada materialmente, na infância, adolescência e juventude, para o rigor do universo acadêmico (mas com sobrevivência limitada materialmente, uma vez que estamos num país que não valoriza a docência e a pesquisa acadêmica, profissões que escolhi). Na juventude, fui vendedor de pamonha, laranjinha, sorvete e pastel, uma experiência que considero fundante para minha percepção da realidade urbana e das dinâmicas sociais. Essa vivência na periferia me deu uma "biblioteca de vivências" que, anos depois, transformei em ficção (o meu primeiro livro, Manicômio, por exemplo, tem muita influência dos espaços – bairros e cidade de Uberlândia – que frequentei).
Minha formação escolar/acadêmica ocorreu inteiramente em instituições públicas, com um carinho especial pela Escola Estadual Lourdes de Carvalho (Bairro Alvorada, Uberlândia/MG). Ao contrário de muitos escritores, não cresci cercado por livros; meu contato profundo com a literatura só aconteceu aos 18 anos. O que me impulsionou foi a necessidade de estudar para o vestibular de Letras na UFU (Universidade Federal de Uberlândia). Esse encontro tardio com gigantes como Machado de Assis, Lygia Fagundes Telles e Carlos Drummond de Andrade não me limitou; pelo contrário, serviu como um catalisador para um interesse voraz, que me levou a trilhar tanto o caminho da escrita de ficção quanto da pesquisa acadêmica.
Meu percurso acadêmico moldou diretamente minha escrita criativa. Entre 2013 e 2021, vivi um hiato na ficção para mergulhar na escrita técnica, produzindo resenhas, tese e artigos. Embora parecesse um silêncio criativo, esse período foi de pura maturação estilística. Em Ensaios sobre a total libertação (Editora Folheando, 2025, contos), meu segundo livro, eu usufruo, ficcionalmente, dessa vivência acadêmica.
O estudo profundo da obra de Carlos Drummond de Andrade no doutorado me permitiu decifrar a mecânica da poesia e da prosa curta. Hoje, percebo que essa densidade e precisão técnica são o que sustentam a voz dos meus novos textos. Sobre tudo isso, e muito mais, discorro no podcast Vozes do Cerrado, comandado pela Bia Montes:



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