sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Anjo de dor, de Roberto de Sousa Causo

LANÇAMENTO DA DEVIR COMEÇA COLEÇÃO
DESTINADA À FICÇÃO DE HORROR


Título: Anjo de Dor
Autor: Roberto de Sousa Causo
Editora: Devir Livraria
Número de Páginas: 207
Arte da capa: Vagner Vargas
ISBN: 978-85-7532-379-3
Preço: R$ 25,00



Anjo de Dor, o novo livro de Roberto de Sousa Causo, é um romance de horror que foi finalista do Projeto Nascente (da Pró-Reitoria de Cultura da Universidade de São Paulo e do Grupo Abril de Comunicações).

A história é ambientada em uma cidade do interior de São Paulo, igual a tantas pequenas cidades próximas a uma grande capital. Ricardo Conte, o protagonista masculino, um jovem artista sem perspectivas, sobrevive de pequenos empregos até que precisa usar o seu talento de pintor para exorcizar demônios que sequer sonhava conceber. Ele encontra em Sheila Fernandes — a cantora que veio da Capital para se apresentar em uma boate da cidade — uma mulher madura de passado violento, e desenvolve por ela uma paixão irresistível. Sheila, porém, é seguida por um homem do seu passado, o sádico Ferreirinha, disposto a tudo para exercer sua vingança.

O encontro de Sheila com Ricardo mobiliza reações em muitas esferas, neste e no outro mundo, e põe em ação mecanismos que ambos vão lutar para deter. A paixão deles pela vida e de um pelo outro não vai permitir que o leitor abandone a leitura nem por um instante.

Esta história, que poderia acontecer em qualquer tempo ou lugar, se distorce e se complica com a entrada insidiosa do sobrenatural que vem transformar tudo.

Ação, violência, sensualidade, terror — elementos que se entrelaçam e se completam em uma narrativa ágil, ambientação sólida e realista, personagens consistentes em suas melhores qualidades e aterradoras deficiências. Todos são vítimas e algozes diante de monstros de pesadelo que se tornam reais. Uma história cinematográfica de arte que ultrapassa as fronteiras da vida e da morte.

A literatura de horror — ou numa definição mais abrangente, a “fantasia sombria” — ganha com este romance um representante original, à altura dos mestres do gênero em qualquer tempo ou idioma.

Com introdução de Rubens Teixeira Scavone (da Academia Paulista de Letras) e texto de orelha de Braulio Tavares.

***

O lançamento de Anjo de Dor acontece no dia 2 de dezembro de 2009, uma quarta-feira, na livraria Martins Fontes da Av. Paulista — Av. Paulista, 509, 01420-002 - São Paulo - SP, tel.: (0__11) 3082.8042 - fax.: (0__11) 3082.8780. A partir das 18h30.

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Endossos a Anjo de Dor, por importantes personalidades da literatura fantástica brasileira:

“Roberto de Sousa Causo manipula as doses certas de terror e erotismo para empurrar seus personagens, de modo quase hipnótico, na direção de um desenlace fatal. A eficiência de seu controle narrativo demonstra que a literatura de terror, nos moldes daquela praticada por autores best-sellers como Stephen King e Peter Straub, tem amplas possibilidades de se desenvolver no Brasil, como uma ampliação legítima do leque temático de nossa literatura. … Um escritor desse gênero, como de qualquer outro, obtém sucesso quando se entrega todo à obra que escreve, na plena medida de seu envolvimento emocional e de sua habilidade técnica, como se dá no caso de Anjo de Dor”
((( Braulio Tavares
autor de A Máquina Voadora
e A Espinha Dorsal da Memória )))

“Difícil caracterizar com segurança o gênero do enredo: novela policial, argumento de terror, repositário de erotismo, incursão pelo fantástico? … Mas uma coisa é certa, Causo domina qualquer dos gêneros e consegue certa amálgama de situações que subjuga o leitor da primeira à última linha”
((( Rubens Teixeira Scavone
autor de Clube de Campo (Prêmio Jabuti) )))

“Quando a narrativa dá mostras de ter estabelecido uma trilha convencional, magistralmente novos ingredientes vão sendo acrescentados, como se o autor assumisse seu papel de bruxo e no caldeirão mágico fosse depositando um a um… Causo consegue o que parecia ser impossível: dar às cores provincianas de uma cidadezinha do interior uma dimensão universal, mostrando o quão perto estamos de uma realidade cuja existência preferimos não admitir”
((( R.F.Lucchetti
autor de O Crime da Gaiola Dourada
e roteirista de Ivan Cardoso
e José Mojica Marins )))

Anjo de Dor é o primeiro título do novo selo da Devir destinado à literatura de horror: Pentagrama.

Sobre o autor:

Roberto de Sousa Causo cresceu em Sumaré, interior de São Paulo. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo. Seus mais de cinquenta contos e novelas apareceram em revistas e livros na Argentina, Brasil, Canadá, China, Finlândia, França, Grécia, Portugal (com o livro de contos A Dança das Sombras, 1999), República Tcheca e Rússia. Foi um dos classificados no Prêmio Jerônimo Monteiro, da Isaac Asimov Magazine, e no III Festival Universitário de Literatura, com a novela Terra Verde (2001); foi o ganhador do Projeto Nascente 11 de Melhor Texto com O Par: Uma Novela Amazônica (2008). Escreveu para o Jornal da Tarde, Folha de S. Paulo e Gazeta Mercantil, para as revistas Cult, Ciência Hoje e Palavra, etc. Mantém coluna no Terra Magazine (http://terramagazine.terra.com.br), a revista eletrônica do Portal Terra. Seu primeiro romance foi A Corrida do Rinoceronte, publicado em 2006 pela Devir, que também lançou o seu segundo livro de contos, A Sombra dos Homens (2004).

sábado, 14 de novembro de 2009

BlogsferaMinas

O Página Cultural e o Fottus.com realizam em Uberlândia o Blogsfera Minas, evento que tem como objetivo reunir produtores, interessados, estudiosos e curiosos sobre o assunto Blog/Blogosfera; compartilhar conhecimento sobre esse universo através de palestras com profissionais experientes. Destaque para a palestra de Fred Fagundes, um dos criadores do Jacaré Banguela. A segunda etapa do projeto é fazer do site blogsferaminas.com um ponto de referência para a divulgação de conteúdos produzidos pela moçada de Uberlândia e Região. Se você é ligado no assunto ou tem um blog/site, ajude-nos a divulgar e seja nosso parceiro no evento. A inscrição custa somente R$ 1,00 (um Real) que será doado para a ONG Um Por Todos. Saiba mais acessando http://www.blogsferaminas.com/

>>> Informações enviadas por Sérvio Evangelista, do Página Cultural

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Escritores que tenho prazer em divulgar


1º - Porque são muito bons.
Dica subjacente: Escreva, mas seja – no mínimo – limpinho, como diria um professor. Para ser bom, leia muito, leia os clássicos, escreva muito, revise sempre.

- Porque são acessíveis, não são arrogantes, nem vivem em um mundinho criado pra si próprio (como muitos escritores e artistas).
Dica subjacente: Seja acessível. Não seja arrogante. Não se considere o novo gênio da última semana. Nada mais irritante do que escritor blasé.

3º - Porque não só divulgam a sua própria literatura (como muitos escritores), mas também são engajados artístico/literariamente.
Dica subjacente: Sim, não tenha medo de divulgar sua própria literatura, se acredita de fato nela. No entanto, nada custa divulgar autores/amigos em cuja literatura você também acredita. Não seja egocêntrico.

4º - Porque, mais do que escritores, muitos deles são espécies de agitadores culturais.
Dica subjacente: Hoje, além de escritor, é necessário que você: tenha conhecimentos de publicidade e propaganda, internet, mercado editorial, finanças etc.; seja vendedor do próprio livro; seja distribuidor do próprio livro; promova eventos artístico-literários. Não tenha medo de usufruir de ferramentas de outra área. Enfim, seja não apenas uma biloca, mas uma daquelas bolinhas da famigerada bolinha tailandesa. Entendeu a metáfora? Ou seja, não acredite que a Literatura se basta - nada mais ingênuo.
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5º - Porque, se não se encaixam em todas razões acima, se encaixam em pelo menos uma :D


>>> Em breve, resenhas sobre livros, sites, blogues de Bruna Mitrano, Homero Gomes, Graciano Arantes, Marco Antônio Araújo Bueno, Nelson de Oliveira, Roberto de Sousa Causo, Rodrigo Novaes de Almeida, Simone Santana, entre outros. Confira também os trabalhos de Leeh, André Espínola, Tibor Moricz.



>>> Aguarde as continuações dessa postagem.

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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Beócia carta para um mundo igualmente etc.

É uma carta, saiba, caduca como o mundo, como eu, que dele faço parte, embora não concorde com seu sistema, criado por todos, menos por mim, motivo justamente de eu não concordar. Uma carta de pedido de socorro, como queiram, sabendo eu que nem Deus já poderá me ajudar, com o perdão do clichê. Uma carta de quem sorriu a vida inteira, para os outros, para mim mesmo no espelho e às vezes para ninguém, intuído sobretudo em não desaprender do artifício duro (sorrir), dado este mundo idiota, para não dizer caduco novamente, ou caótico, repetindo o c. E por isso – pelo meu riso ora tresloucado e sem sentido, de alegria, ora para camuflar a angústia ou náusea que aqui dentro se permitiram (e não “eu permiti”) entrar – e por isso me tacharam louco, apesar de eu nunca acreditar num ser humano que não seja eu mesmo, não obstante a minha dita loucura, ou lucidez, como prefiro chamar, amarga. E amargo o choro de agora, entremeio à noite de estrelas faiscantes, creio eu, pois estou olhando para o teto, e não para o céu. Prefiro imaginar as noites a nunca ter as olhado, independentemente se feias ou bonitas. O choro alcança o paroxismo, não fazendo a mínima idéia do que isso significa, enfim, é um choro de doer, com lágrimas, soluços e tudo. E música. Sim, a música é para dar poeticidade às palavras, à carta, que, se chegar onde pretendo, fará muito sucesso, já decepcionado eu de somente fazer sucesso depois de morto. Morto? Pois é, escrevo esta justamente para dizer-lhes, quem quer que sejam esses lhes: vou me matar, ainda que não saiba como. Sei que quero uma morte tranqüila, sem sangue, como assim não o foi minha vida, bem insignificante, posto que mais aventureira e cheia de emoções que a sua. Cheia de música, de choros, de danças, às vezes macabras, de incertezas sobretudo – daí de ser melhor que a sua, banhada em rotina e lucidez, embora pseudo, com o perdão do grego. Minha vida foi farta de paixão, na maioria das vezes censurada, por ser direcionada ora para prostitutas ora para mulheres casadas (e infelizes) ora para pessoas do mesmo sexo, a saber, masculino. Quero delicadamente lhes falar que enfiem suas tradições, seus sistemas e sua religião no meio do cu, não sem antes de limpá-lo, para dar-lhe uma aparência melhor, visto que é o que mais lhes preocupa. Vou pegar esta carta, ou missiva, para soar mais erudito, e colocá-la numa garrafa, sabendo de antemão que teria mil alternativas mais criativas. Prefiro, porém, que a garrafa e conseqüentemente a carta (posta dentro) tenham vidas próprias, mesmo que para isso corram o perigo de o mar, como sempre indeciso, não saber aonde levá-las, ou deixá-las afundar, o que seria poético no entanto estéril, pois creio eu que os peixes ainda não aprenderam a ler, oxalá nunca aprendam!, para não ter que ler tantas porcarias que têm sido escritas, dentre elas isto, que se nomeia (eu nomeei) carta. Inclusive, a título de corroborar o assunto, a folha, não plastificada, molharia, se para o fundo do mar afundasse, e rasgaria, ou se desmancharia. Dada a cena que esmaga a minha mente já esmagada (se não, não estaria aqui, e assim), decidi, por unanimidade, ou seja, um voto a zero, suicidar-me. Vejo palhaços, e sinceros (o que é pior) mortos, com um sorriso nos rostos, em rostos (para ser mais exato) feios e iguais ao meu – por isso do meu arrependimento e da conseqüente decisão de me matar, porque não vejo, por enquanto, alternativa melhor (se tem, por favor, venha me informar qual, no máximo em vinte minutos). Liquidei quem não merecia ser liquidado. E, então, morri (prenunciando o futuro), posto que depois, daqui a pouquinho, após eu acabar de escrever, colocar na já citada garrafa e jogá-la no mar, ou num rio que para lá vá, como todos os rios, acredito eu, contrastando com o resto, no qual já não acredito mais, sobretudo em deuses. Fiquem eles com sua cômoda condição de não-ser-humano. Se aqui estivessem, veriam minhas lágrimas e, junto, o riso convulso que me toma por completo, inclusive na altura da cabeça do pênis, já muito não usado. A caneta tá... falh... por... porra! Troquei de caneta, agora vermelha, da cor do sangue de meus companheiros, que aqui estão, embora mortos. Que suas almas vão para o céu, ou inferno, dependente se foram bonzinhos ou não. Deus sabe de tudo, bom ou ruim para Ele. Mas eu não! E não sabia quando atirei, e rindo, alto e descaradamente, em todos, com suas mochilas, cadernos, canetas e outros acessórios completamente desnecessários, para não citar, por simples questão de ética educacional, os acessórios-professores (ou mestres), noventa por cento deles também dispensáveis, sobretudo os arrogantes e cheios de sabedoria, falsa, deixemos bem claro este detalhe. Culpo-os por me deseducarem, apesar de eu ter aprendido a somar, dois mais dois é igual (ou são iguais?) a três. Deus meu, Deus meu, por que nem o prazer de me desamparar me deu, já que nunca esteve próximo a mim? Somando os prós e os contras, fico feliz no que fiz: dois revolucionários a menos no mundo, daqueles que citam Marx e enchem a boca ao falar de comunismo, mas não têm coragem de dividir o pão com o melhor amigo. Menos três ou quatro mulheres bonitas porém intransponíveis (por que se arrumar tanto, se não transa com ninguém, ou tão-somente com quem tem dinheiro?). Menos cinco veados que olhavam para o meu pinto quando eu mijava no banheiro, provavelmente para compará-lo com os pintos alheios, nos quais já burilaram, e chuparam. Menos um débil mental (odeio débeis mentais) de óculos que custava conversar, mesmo sendo o orador do local em questão. Menos o Meu amor, o Meu grande amor (e disso não me sinto feliz, mas sim desesperado, e começo, novamente, a chorar), o Amor que, juntos, ríamos (alto e descaradamente) e chorávamos, na cama ou pelados, no banheiro ou com roupas, mesmo dormindo, nos sonhos, harmônicos como o céu e a terra, não levando em consideração os seres que lá e aqui se encontram, que, vamos ser sinceros, nunca combinaram, deuses e humanos. Olho no espelho (no espelho da minha imaginação) e vejo um rosto e olhos vermelhos, posto que azuis no meio do branco avermelhado. Olho no espelho (no espelho da minha imaginação) e vejo um cara gordo e risonho, que mais parece um babaca, daqueles que riem pela coisa mais idiota do mundo, também idiota, palavra idiota, usada por um narrador (ou cartista) idiota. Porra!, e esse choro agora convulso? Deus meu, Deus meu, se não me abandonou (partindo do pressuposto que já esteve alguma vez comigo), preferiria ter Você me abandonado e não Meu amor, já que fazíamos amor, e ríamos, coisas que nunca, eu e Você, ser humano e deus, nunca faríamos juntos! Olho no espelho (idem) e não vejo mais nada, pois as lágrimas são tantas! Tantas! E embaçam, turvam a visão, como a pouco aconteceu – e disso, dessa cegueira, ou lucidez exagerada, adveio a catástrofe (falo do Meu amor, e não dos outros). Já não sei o que falar. Bastaria a folha em branco, falaria mais do que mil palavras, estou chutando, não contei quantas escrevi, nem vou contar, tenho pressa em me matar. (Uma risada, solta e sincera, ao vê-los no chão, ensangüentados mas dignos, nobres). (HA-HA-HA!, rio para não chorar, mais). Todavia choro. Pela última vez. Ainda bem. Não vou dizer adeus. Só direi meu nome, se a caneta nã... se... porr...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Que livro sou eu?

Esses dias atrás, ao visitar o blogue de um colega de mestrado, o Adriano, me deparei com uma brincadeira que achei muito interessante. Era o seguinte: Se você fosse um livro nacional, qual livro seria? Um best-seller ultrapopular ou um relato intimista? Faça o teste e descubra. Coincidentemente, o livro que eu seria foi um dos livros que mais li e mais gostei na vida. Eis o resultado abaixo (para fazer o teste clique AQUI):



Memórias póstumas de Brás Cubas, de MACHADO DE ASSIS
Ok, você não é exatamente uma pessoa fácil e otimista, mas muita gente te adora. É possível, aliás, que você marque a história de sua família, de seu bairro... Quem sabe até de sua cidade? Afinal, você consegue ser inteligente e perspicaz, mas nem por isso virar as costas para a popularidade - um talento raro. Claro que esse cinismo ácido que você teima em destilar afasta alguns, e os mais jovens nem sempre conseguem entendê-lo. Mas nada que seu carisma natural e dinamismo não compensem.


"Memórias póstumas de Brás Cubas" (1881) é considerado o divisor de águas entre os movimentos Romântico e Realista. Uma das expressões da genialidade de Machado de Assis (e de sua refinada ironia), há décadas tem sido leitura obrigatória na maior parte das escolas e costuma agradar aos alunos adolescentes. Já inspirou filme e peças de teatro. É, portanto, um caso de clássico capaz de conquistar leitores variados. Proezas de Machado.


quinta-feira, 14 de maio de 2009

Um Vôo Entre as Estrelas e o Chão

A dúvida é comparada ao vento de morte e de ruína, li em algum lugar isso. Onde? Não sei. Não lembro. Não quero lembrar. Foda-se. Fodam-se todos vocês, norte-americanos ou não! Essa nossa televisão norte-americanizada! Estados Unidos pra lá, Estados Unidos pra cá, cachorrinho do Bush, terroristas (como se eles não fossem), aqueles filmes retardados e retardantes. Um bando de imbecis que se acham os dez. E nós, os sub-sub-sub-imbecis. Deixe-me só, deixe-me respirar, posso? Ser como quiser, posso? Posso viver? Posso? Então ela foi vindo vindo, chorando e eu pensei, pedirá mais o quê? Só sabemos pedir. Não, ela não. E dar? Não dar assim sexualmente falando, porque assim ela me dava muito, toda hora, eu era o dono (exclusivo?) do seu corpo. Nunca vi gostar de dar como ela (seria só pra mim?). Insaciável. Posições diversas. Novas novidades, sempre. Ninfomaníaca. Todo, todo o seu corpo era meu. Porra! Televisão dizendo da guerra do Iraque (que Bush o quê! W. Bush morra com um tiro na testa. O mundo ficaria um pouco melhor. Os deuses com a sua não interferência agradeceriam) e a propaganda dizendo pra eu comprar isso aquilo este esse e aquele compre compre alugue você pode é a sua chance! Não tenho dinheiro pr’isso tudo, seus filhos duma puta! Não percebem que não temos dinheiro pra tudo isso?! Somos brasileiros! Desligo-a. Melhor. Por que, meu amor? Por que, Josi? Ela veio vindo me beijando a boca, o rosto, o pescoço, seus lábios sobre minha pele negra, tirando minha camiseta, descendo a boca até tirar minhas calças e... suada suando e eu também, gostando também. A música (Ando tão à flor da pele: qualquer beijo de novela me faz chorar) que eu escutava não tinha nada a ver com o ambiente de amor e prazer que se criou quando ela entrou sorridente e sensual por aquela porta vestida com uma calça jeans que ficava maravilhosamente bem em seu lindo corpo e uma blusinha que apertava seus seios grandes. (Barco sem porto, sem rumo, sem vela). Como ela era linda e gostosa. Sim, gostosa. E a boca? Linda e gostosa. Os seios, a barriga sem excesso, o quadril maior que a cintura não muito grande. Morena bronzeada e os olhos sensuais e verdes. E a boca grande linda de Angelina Jolie. Não perdia em beleza para a atriz. Só não fazia filmes, mas fazia sexo como ninguém. E como gostava! Seria amor? Ou puramente sexual o nosso caso? Três anos sexualmente ativos, os dois, um querendo mais que o outro. (Oh, sim! eu estou tão cansado). E ela entrou séria mas fez quase tudo o que sempre fazia. Por que está mais recatada?, tinha vontade de dizer. Por que, Josi? E o nosso pacto de prazer sem restrições? Ela veio, tomamos um refrigerante, mas nunca tomávamos nada!, enrolamos um pouco, um pouco que se tornou muito e eu com vontade e a excitação aumentando aumentando e fui ao sofá que ela estava sentada com as pernas cruzadas, mostrando-as abertamente, essas pernas brancas porém bonitas. Fui a ela, dei-lhe um beijo animal e forte e ela gostou da minha atitude. Eu estava acostumado com isso. Fizemos sexo, sexo e não amor, durante uns cinqüenta minutos. Apesar do longo tempo, sexo ruim. Estava muito, mas muito recatada. Saiu, assim alegre, ela. Eu, não. O gozo anterior tornou-se para mim em náusea. Náusea. No outro dia ela veio vindo, negra, a negra mais linda que eu já vira, os cabelos longos e encaracolados, o rosto mais perfeito do mundo, sem manchas sem espinhas sem erro algum. O corpo lindíssimo, magro e lindíssimo. Nua, escultura. Defeitos físicos, se tivesse, não os vi. Seu charme tentando me impressionar e impressionou. Mas Josi! Por que tão diferente? E agora, nada de sexo oral? Por que? E outras vezes viria, ela. Ela? Quem? Ruiva, morenas ao monte, poucas loiras e algumas negras. Sempre bonitas. Todas. Nunca fiquei com mulher feia. Sou bonito e exijo que pague na mesma moeda: com a beleza e o saber sexual. Se não, está descartada. Mas Josi estava a minha altura: eu, um metro e oitenta dois e ela, um e setenta e sete. E vinha vinha mesquinha, não gostando do meu apartamento, mas aqui?, sentou, ofereci algo mas ela não quis, não seria capaz de beber algo que não fosse puro. Essas ricas! E ainda casada! Gosto delas, dessas falsas puritanas, doidas por sustentar uma imagem: a Virgem Maria. Era Maria mas não era mais virgem. Talvez com o marido fosse, mas comigo não. Comi muito. Alguns dias, três a quatro vezes. Como ela gemia! Por que? Mas Josi! Nunca foste assim! E o verbo foste embelezou o que era sujo e feio. A Maria casada tudo que não fazia com o marido fazia comigo, como gostava de chupar! Mas sempre olhando pedindo aprovação. Josi não era assim, ela vinha sempre alegre alegre e sensual e querendo querendo até não agüentarmos mais. Mas agüentávamos. Sempre agüentávamos e nunca era o bastante. Sempre nos queríamos e nunca foi o bastante, nem para mim nem para ela. A casada me ligando me procurando pra sexo só sexo e sexo e nada!, e assim foi durante uns oito meses, até eu enjoar. Me enojei também da negra (e não digam, seus retardados, que era racismo!). Era apenas cansaço de tudo isso sem amor sem paixão. Apenas o prazer. A negra que antes, nas primeiras vezes, não gostava de sexo oral. Sim. Depois gostou, aprendeu como ninguém. Sempre começava pelo meu órgão, depois puxava a minha cabeça para o seu. Peles negras se encontrando. Chorou quando eu disse a ela que não queria mais, nunca mais, entende! Chorou porque nunca mais daria o prazer que sempre lhe dera. Sentiria falta, como não? Eu, o expert em mulheres e seus mistérios sexuais. Um choro interesseiro. Apesar, a dispensei. Não te quero mais! E a noiva evangélica veio um dia, pela primeira vez, disse que vinha porque por que mesmo? Não lembro, só sei que veio, a puritana (puritana não sei, mas virgem, disse). Percebi quando tirei sua virgindade. Embora demonstrasse dificuldade, eu consegui. No sentido sexual, eu consigo tudo de uma mulher. O segredo? Paciência. E falsidade. Com a noiva virgem tive que beijar uns dez minutos sua boca, mais uns dez o rosto o pescoço e a orelha até descer para os seios pequenos. Tinha vergonha do corpo, mas isso não foi grande problema. Beijei sua barriga e a virgem gemia. Olha que ainda nem tinha beijado seu sexo. Sexo? Mas beijei, além de descer para as pernas magras, morenas, brilhantes, mas natural, não eram bronzeadas. Demorei umas duas horas para terminar o serviço. Apenas duas horas para tirar todo seu pudor. E sua virgindade. Nua ao meu lado, na minha cama, ela sorria. Eu virava o rosto, disfarçadamente, para não ter que lhe oferecer o meu sorriso. Fiquei mais de um ano com ela. Continuava virgem do noivo, dizia. Só dera para mim. Eu fora o primeiro e o único. Estou honrado, dava vontade de dizer. Mas não dizia, não tinha vontade nem de conversar, às vezes. Outro dia ela foi vindo, avisou que viria, tinha a chave, entrou sem eu perceber e já foi logo me beijando forçado (gostava, a noiva virgem, dos beijos forçados, violentos). Era tudo que eu não queria: ela viesse com aquela cara de insatisfeita sexualmente, de imatura sexualmente, de bitolada sexualmente. Assembléia de Deus, isso? Sim, era a igreja onde ela ia... comi-a, nesse dia, apesar de tudo, e duas vezes. Gozou, ela, duas vezes. Suada ao meu lado, na cama, me olhava, já apaixonada e disse: Larguei do meu noivo. Meu Deus!, pensei. E daí?, deu vontade de perguntar. Evitei falar alguma coisa. Ela percebeu meu silêncio, meu característico silêncio. Pela primeira vez, teve iniciativa e tirou minha roupa que eu pusera pouco antes e caiu de boca, ao pé da letra. Foi horrível. Nunca sentira um sexo oral tão mal feito, babado. Eco. Tudo me causava nojo. Mas... e Josi? Josi já era uma miragem há muito. Lembro de quando nos conhecemos e ela disse quando eu disse que não acreditava em amor: Vou fazer você acreditar. E fez? Conversava tanto! E de um modo tão natural, sem forçação de barra. Tudo tão natural! E eu, desde o primeiro momento que a vi, na praia, a contemplei. Como era linda! De sutiã, nua, com roupa (e qualquer uma), como ela era linda! Contemplava-a muito. E a contemplei quando ela veio vindo chorando chorando, será que ficou sabendo algo de mim?, pensei. As lágrimas caindo dos olhos verdíssimos pela pele morena, lisa, seca, sem mancha alguma, ou cravos. Apesar de tudo que você faz, eu te amo, eu te amo!, entrou dizendo e me abraçando. Nunca a vira assim, resignada. Sempre fora forte, não áspera, ao contrário, sempre carinhosa. E agora sofro toda a idealização que fizera de mim, e eu dela. Nos adorávamos juntos, sempre, a todo o momento. Batem na porta e não atendo. Bate, bate. Sei que é mais uma mulher daquelas que exige um príncipe encantado mas é uma bruxa: feia, dura, ruim de cama e, como sempre, carente. Sempre carentes, elas. Por carência elas fazem tudo: dá pra outro (traem), matam, abandonam pai, mãe e filhos. E se dizem inocentes, as falsas. Justificadas, as dissimuladas. Não as agüento mais! Foi-se minha paciência junto com o meu amor. Foram-se. Para onde? Onde procurá-los? Por onde andar e encontrar a alegria fugaz mas antes existente? Não há atalho e, quando há, o objetivo não é alcançado. Não há saídas. Só há lembranças. E lembro da morena desprovida de vaidade que conheci uma semana atrás. Por incrível que pareça não a levei ainda pra cama. Não demora. Mas na boate onde nos beijamos pela primeira vez ela já foi logo pegando firme, se é que vocês me entendem, olhe, não sou vaidosa mas sou gostosa e fogosa! Em pleno século vinte e um há ainda mulheres que não usam batom, não se maquiam, não se disfarçam? Sim, há, ela. Mesmo assim e talvez por isso se torne tão bonita, a morena clara, cabelos lisíssimos, brilhantes, bem tratados. Um corpo bonito e uns olhos assim mel. Muito bonita. Não demorará que ela me ligue e depois gema aqui na minha cama. Mas ela tem namorado, foi o que disse. Foda-se. Problema dela. Eu não tenho. Só as lembranças... Quando Josi veio vindo chorando, pela primeira vez entrou chorando no meu apartamento, sempre entrava feliz, sorrindo, quando ela veio vindo me abraçando, pensei: O que será? Eu te amo eu te amo eu te amo, saiba, insistia em dizer. Sei, murmurei. E eu também. Mas..., começou. Não falou. Por que?, perguntou. E eu sabendo do que se tratava falei: Você é insubstituível. Fomos para a sacada. Quantas vezes fizemos amor ali, à noite, na sacada. As estrelas e o chão, pólos distantes. E nós, no décimo quinto andar, no meio. Ficamos ali olhando as casas que se estendiam e outros prédios. E as luzes já acesas. O sol se fora. Josi mais calma. Eu, evitando tocar no assunto, e perguntar a ela porque estava chorando, disse: Vou pegar uma água pra você. Fui. Uma semana antes ela me falara algo, mas sorrindo. Deixa de bobeira, eu respondera. Não fale isso. Mas no fundo vaidoso por ouvir algo assim. Lembrei disso, esqueci a água, corri e Para Eliza de Beethoven tocando no vizinho, corria corria corria à sacada. Meu Deus! Tropecei na mesinha no meio da sala. Josi! Josi! A resposta: um grito já distante.
E lembrava de quando ela (sorrindo) me sussurrara, sua forma de dizer eu te amo: Por você... Por você eu me mataria.

sábado, 11 de abril de 2009

FoMee

Piadinha sobre a fome

Era uma vez um rapaz que passou fome, muita fome. Mas ninguém sabia que ele passava fome, porque ele vivia fingindo que comia. Com o tempo, uma úlcera foi se formando em seu estômago. E se transformou em um câncer. Mas antes de morrer (o médico dera certeza que em pouco tempo morreria) ele deu um tiro no meio – exatamente no meio – da sua cabeça.

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Conceito científico de fome

Fome – é o estado de quem não tem o que comer. É o estado de quem come pouco, muito menos do que a necessidade diária. É o estado de quem não tem auto-estima, daquele que tem vergonha da sua situação, daquele que tem tanta revolta de não ter nem o sub-básico. Fome = impotência + raiva + constrangimento + revolta. É o estado daquele que mesmo lutando muito não consegue nem comer, ou daquele que se acostumou com o vazio (da barriga). Daquele que come pão sem manteiga. Daquele que come pão sem café. Daquele que toma muita água pra enganar a fome. Daquele que quando almoça não janta, ou se janta não almoça. Daquele que quando passa em frente a um bom restaurante inveja aqueles que comem, e comem muito bem, obrigado. Fome é o estado daquele que nem sempre é magro, que nem sempre está visivelmente triste, mas tem sempre um olhar profundo e cheio de ira implícita. É o estado daquele que chora por não ter o que comer. É o estado da barriga vazia, da dor da barriga vazia, dos roncos da barriga vazia. Daquele se sente um glugluglu no estômago quando come, pouco, menos do que o necessário para preencher o vácuo inteiro. É o estado daquele que tem poucas forças para procurar emprego, que tem poucas condições de procurar um emprego, daquele que já procurou – e muito – emprego, mas não conseguiu. Fome é o estado daquele que pede ou daquele que não pede – este, por causa do seu orgulho, sofre duplamente. Fome é a causadora de atitudes tais como: ir a festas, eventos, publicação de livros, enterros – mesmo não sendo convidado – a fim de comer, mesmo que sejam apenas uns biscoitinhos. Fome é o estado daquele que olha o céu, as estrelas, o mar e as flores e não acha graça nenhuma. É quando se abre a geladeira e ela insiste em não ter nada. Fome é o estado daquele que sobrevive, durante dias e dias, com apenas miojo OU macarrão OU feijão com farinha. Só sente fome aquele que é um fracassado, e ao ter fome ele se sente mais ainda um fracassado, especialmente se tem quem passe fome – filhos, esposa etc. – por sua causa. Fome é o estado daquele que ao comer algo diferente sente grande prazer, ao cúmulo da exclamação espontânea. Fome é o estado daquele que come arroz e tomate durante uma semana, por exemplo – no almoço. Fome é o estado daquele que come arroz e ovo durante a outra semana. Fome é o estado daquele que dá muitos murros, que muito cospe, que de vez em quando chora, que pouco defeca. Fome é o estado daquele que, se insiste em ir à sua casa – sobretudo em horários de refeições – é porque sente fome. Fome é o estado daquele que se angustia por não saber se amanhã vai ter o que comer. Fome e perplexidade são a mesma coisa, porque o faminto, dentro de si, a todo momento está com os olhos arregalados e calado. Perplexo, calado, porém com a boca aberta, à espera. Isso que é fome.



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Dicas para quem passa fome
  • Beba muita água. Beba água de meia em meia hora, no mínimo.
  • Tome muito café, melhor se bastante quente.
  • Por mais difícil que seja, ao comer coma devagar, mastigando bem, saboreando cada garfada. Demore o máximo possível de tempo para comer.
  • Quando estiver com fome, evite andar ou fazer esforços desnecessários. Evite o sol. Entretenha-se, mas sem fazer esforços físicos.
  • Algumas plantas e folhas de árvores fáceis de encontrar são comestíveis. Descubra quais.
  • Caso tenha pouco dinheiro, compre alimentos que encham a barriga e proporcionam sensação de saciedade. Jamais gaste dinheiro com coisas supérfluas como frutas, bolachas, refrigerantes, salgados, chocolates etc. É preferível comprar 5 quilos de arroz e comê-lo puro.
  • Vá a eventos gratuitos, sempre. Vá a casamentos sem ser convidado. Vá a igrejas católicas ou evangélicas. Se perguntarem qual é o seu problema, responda: fome.
  • Faça programas para ganhar dinheiro e, assim, comprar comida. Caso seja homem e não goste de homens, seja passivo, porque assim não precisará estar excitado para realizar o programa. Mais constrangedor do que fazer programas, é passar fome.
  • Caso não tenha perfil para fazer programas, peça ou, em último caso, roube. Mais vergonhoso do que pedir ou roubar é passar fome.
  • Durma o máximo possível. Sugere-se que compre ou consiga de alguma maneira remédios para dormir, de forma que durma mais facilmente, porque assim não lembrará que tem fome.

Continue...


((( >>> Caro leitor, a fim de criar uma cartilha com Sugestões Práticas a ser distribuída entre os que passam fome, te peço que ajude a contribuir com as 'Dicas para quem passa fome' )))


Dicas para quem passa fome (dos leitores):

  • Se for roubar, roube sementes; se faltar lugar pra plantar, vá para o campo e viva clandestinamente, pois provavelmente sequer será notado se souber escolher bem (por Rebert)
  • Nunca sorria em público, próximo a restaurantes. O sorriso denota felicidade e quem é feliz não tem fome (por Luiz Cézar Cordeiro)

sábado, 14 de março de 2009

Sobre 'A lei e o Crime', nova série da Record


Nunca fui um assíduo telespectador. Gasto pouco do meu tempo em assistir televisão. Da Globo, por exemplo, exceto alguns programas de humor (Casseta e Planeta não está incluído), a transmissão de esporte em geral e algumas minisséries, pouquíssima coisa me atrai. Na Tv fechada é possível encontrar – com paciência e tempo – algumas coisas boas, no entanto. Particularmente me atenho aos programas relacionados a filmes, música, esporte e à minha cidade natal, Uberlândia.

Num desses meus momentos em frente à televisão (normalmente quando estou cansado de ficar em frente ao computador ou cansado de leituras), me deparei com o trailer de “A lei e o crime”. Confesso que aguçou minha curiosidade. Esperei dias, e esperei ansiosamente. Enfim a série estreou.

Uma grata surpresa quando assisti, do começo ao fim, ao primeiro episódio da série. Embora trate de temas atualmente recorrentes, usados sobretudo pelo cinema e pela literatura, a série se diferenciou de quase tudo que é feito, hoje, na televisão brasileira. Houve, em 2007, uma tentativa a meu ver patética por parte da teledramaturgia da Globo (Duas Caras, com sua Favela da Portelinha inverossímil ao extremo) de dissertar sobre a pobreza, favelas e afins. No afã de não repetir os lugares-comuns do telejornalismo (favela = bandidagem = traficante = troca de tiros com a polícia), Duas caras fez o oposto – criou uma favela romantizada ao extremo, onde não havia nem era permitido nenhum tipo de crime.


A princípio, nada de mais em romantizações. Mas, quando qualquer obra se propõe a ser realista, ela deve ser verossímil em sua proposta. Uma obra – seja telenovela, livro, filme – que não convence é uma obra ruim. Duas Caras desde o início se propôs a ser realista e, mais especificamente, a dissertar (de forma ficcional) sobre segmentos da realidade brasileira, dentro os quais as classes sócio-econômica D/E. Pobreza de forma alguma é sinônimo de traficantes, drogas, bandidagem, tiros, assassinatos etc., mas também não falar sobre tudo isso é ir de encontro à realidade do país. E, com certeza e por mais que não pareça, é reforçar a alienação em que vive a população brasileira.

Morei quase a minha vida toda próximo a bairros pobres/favelas e sei muito bem dos crimes que ali são cometidos. Houve épocas em que quase todo dia ouvia falar de alguém assassinado. Alguns amigos/colegas com quem joguei bola na infância estão presos ou foram assassinados, alguns por policiais. Essa é a realidade, mas não a única verdade quando os assuntos são pobreza, favela, morro, bandido/traficante etc. Ora, essa é a realidade mais instigante e, portanto, a mais usada pelos meios de comunicação e pelas artes ao discorrer sobre esses temas. O trunfo advém da forma como tudo isso é usado. Aí, a meu ver, está o trunfo da série A lei e o crime.

Não houve, pelo menos nos capítulos a que assisti, a repetição exagerada de clichês quando se aborda essa temática. Ou, se há (houve) a abundância de clichês, são clichês que condizem com a realidade, e não aqueles que condizem com a idéia que criamos – nós, os telespectadores passivos e pouco curiosos – ao assistirmos diariamente televisão. Existem diferentes tipos de preconceitos – os que são preconceitos porque assim o vêm sendo repetidos pelas instituições (mídia, Estado e demais interessados) e os preconceitos que de fato se baseiam na realidade crua e nua. Esses últimos têm razão de existir.

“Às vezes o bem aparece disfarçado de mal e o mal disfarçado de bem – foi o que aprendi quando pela primeira vez fui obrigada a matar um ser humano” – fala de uma das protagonistas da série, Catarina, a delegada/narradora que teoricamente está do lado do Bem. Uma coisa que me chamou a atenção nessa série foi justamente esse não delineamento simplista e irritante de bonzinhos e mauzinhos. A todo o momento o telespectador se engana com os personagens – há “bons” que parecem “maus”; “maus” que se fingem de “bons”; defensores da lei corruptos e assassinos; bandidos preocupados com a honra; “bons” que, num momento, são obrigados a agir “malvadamente”; bandidos que são obrigados a descer do alto do seu pedestal de maldades quando são confrontados com algo maior e mais poderoso.

Para mentes simplistas – infelizmente a maioria da população brasileira –, as que acham que a sensação de insegurança é tão-somente causada por bandidos/vagabundos (termos recorrentemente usados pelos policiais e pela população mais reacionária ao se referir a bandidos pobres), vale a pena assistir à série. Pois ela mostra que bandido é aquele que comete atos criminosos, ora praticados por policiais, delegados, empresários, políticos, pobres e ricos. Ou por você mesmo. Estigmatizar os pobres e “favelados” como bandidos é uma estratégia usada recorrentemente por uma elite (ou por pessoas em geral) corrupta mas que nunca se conscientizou dos seus atos e sempre quis fugir de suas responsabilidades no que concernem ao atraso e à corrupção desse país. Desmistificar esse discurso é necessário e urgente. A série A lei e o crime contribui, creio eu, para que isso aconteça.
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>>> Para mais informações sobre o assunto, sugiro a leitura de Elite da Tropa (Luiz Eduardo Soares, André Batista, Rodrigo Pimentel) e esperar a publicação do conto de minha autoria A espera.
>>> Para assistir aos episódios de A lei e o crime, clique aqui no Youtube

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

EsPaÇo AmiGo

“”””” Explicação necessária

Espaço amigo? Sim, o nome já diz tudo – é um espaço destinado a amigos escritores. Todo dia 01 de cada mês, a escritora Giselle Sato contribuirá com um texto sobre mulheres, sexo, sexualidade etc. No dia 15 de cada mês é a vez de Simone Santana publicar seus microcontos metafóricos, exercícios de estilo e poesia. Que o leitor encontre além de estilos diferentes do meu, textos agradáveis e de qualidade. Creio que vai encontrar. Abaixo um novo texto da seção. Confira. “””””

Erótico ou pornográfico, eis a questão
(Giselle Sato)


Quando o assunto é sexo, alguns termos são associados automaticamente. Pornografia e erotismo surgem como correntes antagônicas. Para entender, montei um mosaico e tentei encaixar as peças. Nada a ver com a tendência pessoal, de adicionar uma pitada sensual nos textos que costumo escrever. Ou seria o contrário?
Pornografia tem origem grega, significa inscrita da prostituição. Atualmente é a representação, por quaisquer meios, destinada a instigar a libido. O aspecto moral é bastante pesado. Está associada aos maiores problemas sociais do mundo moderno. Crimes contra menores, estímulo de violência e abusos sexuais. Neste ponto fica bem claro o aspecto moral e legal das duas vertentes.
Porém, ao falar de erotismo as coisas mudam. Usamos um tom mais brando, sofisticado e com ares de superioridade. Erotismo é referente a amor, paixão e desejo ardente. Prazer pelo prazer.
Apesar da intensidade, é associado a um conceito suave e permissivo. No mundo das artes, a linha entre pornografia e erotismo é muito tênue. Como diferenciar a pornografia e o erotismo?
Paixão, amor e desejo. A necessidade fundamental de algum contato. O erotismo sugere a presença, ainda que virtual de compartilhar o prazer. Mesmo em pensamento, não foge da idéia de registrar um parceiro.
Há textos conceituando essas duas palavras à participação ativa. Como se na pornografia, o estímulo à participação fosse direto e de forma objetiva. No erótico esse convite é subliminar, o que condiz com o conceito de que o pornográfico expõe e o erótico faz desejar.
A literatura erótica traduz a inspiração em forma de desejo. O sexo está inserido na narrativa, podendo ou não ser o assunto principal. A imaginação em possibilidades múltiplas conduz a um mundo íntimo. Velado, oculto e silencioso. Cada autor tem seu estilo. Acho o campo tão amplo que normalmente meus contos eróticos são cheios de humor e diversão. É um leque amplo, pode ser encaixado no gênero policial, terror, suspense e o que mais houver na fértil mente do escritor. E como são criativos!
O que não ocorre nos textos pornográficos. O contexto deste tipo de leitura é o sexo explícito. Sem a menor preocupação em ser vulgar ou obsceno. É cru, realista e sem meio-termo. Tem urgência e o tesão é imediato! É claro, direto e objetivo.
O erotismo é algo que pode não ser pornográfico, porém a pornografia é necessariamente erótica. Temos outro ponto que ainda hoje, e por muito tempo, tornará esses conceitos nebulosos e pessoais. O que define o que é erótico: quem o produz ou quem observa?
Definitivamente, erotismo e pornografia caminham lado a lado. Estão presentes em nossas vidas, entram em nossas casas através dos canais de comunicação. São usados em propagandas, mexem com o imaginário e estão disponíveis. Sem hipocrisia e falsos moralismos, acredito que somos responsáveis por nossas escolhas. E limites.
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>>> Giselle Sato publica seus textos no site Trilhas da Imensidão