Amigos do Rogers

22 de maio de 2015

Entrevista com Wigvan Pereira



Lá no Blog Textifique, uma breve e interessante entrevista com o escritor Wigvan Pereira. É só clicar AQUI.


22 de janeiro de 2015

Estou lendo...

Mosaico de rancores, de Márcia Barbieri


TRECHOS:

"Todo amanhecer é um desvendar de coisas velhas e inéditas".

"O nosso amor é um caixão de madeira podre que jamais deveria ter sido aberto".

"É preciso desmanchar para renascer. Não ando morrendo, apenas surgindo para outras evidências".

"A barba crescida lembra um comunista que não reparte nem o amargo do próprio cuspe".

"A morte faz sentido somente para o florista".

"Eu te quero bem desde antes do Big Bang e até o final dos planetas".

"Nosso amor é uma estrofe esquecida de acontecer. Poesia marginal em boca burguesa".

"Amores não morrem, são sacrificados".

"Amá-lo é mergulhar com os bolsos cheios de pedras num rio verde e calmo..."

"Ando tropeçando na imagem suja e imperfeita que fez de mim. Eu me enxergo com seus olhos e não gosto do que vejo".

"O início de tudo é também o fim de uma história trágica".

"A vida só é engraçada para os lunáticos".

"A fidelidade é viajar em círculos de tédio".

"Não existe nenhuma criatura reta que não guarde bombzs atômicas no olhar catatônico".

15 de janeiro de 2015

Patrulha na literatura?



A onda do politicamente correto está chegando a níveis perigosíssimos. Ainda agora uma leitora do meu livro me sugeriu repensar os meus personagens, porque se sentiu incomodada por conta das atitudes "machistas" e "safadas" de alguns deles. Ela quer que eu construa personagem que caiba dentro do seu moralismo barato; que não a incomode em suas opiniões, em seus discursos, em suas crenças? Ela quer uma literatura que faça média consigo mesma. Cara leitora - respondo aqui - eu faço arte, eu faço literatura. A arte é livre (ou deveria ser). Não é púlpito de igreja, que as pessoas usam para pregar moral e/ou bons costumes. Eu tento construir personagens verossímeis, convicentes, e não ventríloquos ou estereótipos. Personagens são quase iguais às pessoas: elas existem, e existem em sua diversidade de caráter e natureza, de opiniões e sentimentos; personagens - pasme! - também são incoerentes e imperfeitos, como nós mesmos. Escrevo a partir da minha vivência, claro, mas sobretudo a partir da minha observação/visão da realidade. A literatura, mais do que representação, é a transfiguração da realidade, o que quer dizer que ela deve transcender essa realidade (o que implica que ela deve transcender e, às vezes, até combater determinados discursos, por mais que isso incomode algumas almas sensíveis). Repito: eu não sou político, eu não sou padre, eu não sou pastor. Eu sou escritor e não tenho compromisso nenhum, como construtor de personalidades, com convenções sociais e morais ou discursos bonitinhos. E acho, sinceramente, que não preciso repensar sobre o assunto. Obrigado.

14 de janeiro de 2015

Estou lendo...

Sólidos gozosos & solidões geométricas, de Nelson de Oliveira


TRECHOS:

"Com o nascimento de Amanda, a mãe abandonou a faculdade de filosofia, que tanto detestava, e aprendeu a ver o mundo pelos olhos da filha. Pessoas, objetos, paisagens. Deslumbrou-se com o novo aspecto das coisas, da poeira às estrelas, quando intermediadas por uma criança" [ do conto "A mãe das aves" ]

"Tentei me acalmar. Me afastei da janela, fechei os olhos, respirei fundo, amoleci os braços - sem querer, peidei. E me assustei também com isso.
__ Ô Cristo... Mais essa. Melhor abrir a janela" [ do conto "Gotham City ]

"Só os ébrios conseguem ser tão sublimes minutos antes de descambar para o repulsivo" [ do conto "Duzentas mil horas" ]

"Tenho larga experiência com todo tipo de conversa pra boi dormir. Com mentira deslavada. Eu mesmo já transei com um número dez vezes maior de mulheres do que a verdade me permite revelar. Nas posições mais loucas. Só para impressionar a galera. Todo mundo faz isso" [ do conto "Os olhos da gata" ]

"Tenho consciência do que fiz e não me arrependo. Só os tolos têm medo da morte lenta e dolorosa ou da insanidade irreversível" [ do conto "O dia dos prodígios" ]

7 de janeiro de 2015

#‎JeSuisCharlie‬



Sim, eu tenho medo de qualquer tipo de extremismo/extremista religioso, político, partidário, à esquerda ou à direita, com ou sem barba, seja ele amigo meu ou não. Toda forma de extremismo é uma forma de tentar calar aquele com o qual não se concorda. É anti-democrático. É autoritário. O extremista é egoísta, é vaidoso, se faz de vítima para se tornar o carrasco. Toda forma de extremismo é uma forma de cegueira, por achar - o extremista - que suas opiniões são mais valiosas do que as do outro; que suas crenças são mais sagradas do que as do outro; que suas atitudes são mais especiais do que as do outro. O extremista é um ingênuo, mas não um ingênuo inofensivo - é um ingênuo com tendências fascistas, por acreditar em um regime caracterizado por medidas autoritárias, sempre criado - esse regime - por si e pelos seus, para si e para os seus. O extremista, como o fascista, não se preocupa com a liberdade do outro. O que importa são apenas suas ideias, mesmo que essas ideias nem sempre resultem em ações, muito menos em boas ações. Por isso toda forma de extremismo deve ser combatida. Por isso ‪#‎JeSuisCharlie‬

6 de janeiro de 2015

Estou lendo...

Sidarta, de Hermann Hesse


TRECHOS:

"Quando alguém procura muito – explicou Sidarta – pode facilmente acontecer que seus olhos se concentrem exclusivamente no objeto procurado e que ele fique incapaz de achar o que quer que seja, tornando-se inacessível a tudo e a qualquer coisa porque sempre só pensa naquele objeto, e porque tem uma meta, que o obceca inteiramente. Procurar significa: ter uma meta. Mas achar significa: estar livre, abrir-se a tudo, não ter meta alguma. Pode ser que tu, ó venerável, sejas realmente um buscador, já que, no afã de te aproximares da tua meta, não enxergas certas coisas que se encontram bem perto dos teus olhos."

"Dela aprendia Sidarta que os amantes não devem separar-se após a festa do amor sem que um parceiro sinta a admiração do outro; sem que ambos sejam vencedores tanto como vencidos, de maneira que em nenhum dos dois possa surgir a sensação de enfado ou de vazio".

"Ao observar aquela existência infantil ou animalesca que levavam os seres humanos, ao mesmo tempo adorava e desprezava tal estilo de vida. Via como labutavam, sofriam, envelheciam por causa de assuntos que não lhe pareciam valer tamanho esforço e como se empenhavam em obter dinheiro, prazeres minúsculos, honrarias insignificantes".

"Inteiramente o penetrava a sensação do presente e da simultaneidade, a sensação da eternidade. Nessa hora, Sidarta percebeu claramente, com maior nitidez do que nunca, que toda a vida é indestrutível e cada instante, eterno".

11 de dezembro de 2014

Sorteio do livreto "Meus olhos verdes"

Neste final de ano O Bule, no Facebook, está sorteando 10 (dez) exemplares do livreto "Meus olhos verdes", um dos contos do Manicômio, de minha autoria. Perde não! É só clicar AQUI para obter mais informações e saber como participar!


15 de julho de 2014

Geração Atari: Earth and Fire

Earth and Fire foi uma banda de rock progressivo neerlandesa, constituída em 1968, nos Países Baixos pelos irmãos gémeos Chris and Gerard Koerts. O seu maior êxito internacional foi a canção Weekend, nº1 nos Países Baixos (onde venderam 210.000 cópias e conseguiu estar durante 3 semanas consecutivas), Alemanha, Suíça, Dinamarca e Portugal. Ao que parece, o sucesso desta canção deveu-se em parte à imagem sensual da vocalista Jerney Kaagman no vídeo da canção (abaixo) com o seu fato-macaco de plástico azul cintilante, bem como a sua dança ondulante.

2 de julho de 2014

Geração Atari: Gibson Brothers

Mais uma música da série O que fazia sucesso quando minha geração nascia. A música é boa, mas o figurino e o clipe são muito toscos, haha! Não ria se você nasceu entre 79 e 85...


11 de junho de 2014

Geração Atari: Sugar Hill Gang

Eis que lanço a série musical O que fazia sucesso quando minha geração nascia, a Geração Atari, que hoje tem entre 28 e 35 anos. Trata-se do resultado de uma pesquisa cujo objetivo é saber quais músicas (nacionais e estrangeiras) faziam sucesso (tocavam nas rádios e TV's) quando as pessoas nascidas entre 1979 (os mais velhos da minha geração) e 1985 (os caçulas...) vinham ao mundo. Essa série faz parte de um projeto maior, que espero ver concretizado em 2014 ou 2015. Ó, espero que gostem e aceito sugestões, viu! Beijos & abraços.

E a primeira música é...




Sugarhill Gang foi um trio de negros norte-americanos que praticamente implantou o estilo rap (música falada) na transição da década de 1970 para a de 80 com o sucesso estrondoso Rapper's Delight, muito conhecida no Brasil como Melô do Tagarela. A música fala do egocentrismo de cada integrante do grupo. Aborda o luxo, o poder financeiro, sexo, entre outras coisas. O líder Master Gee é um dono de uma das vozes do trio (Fontehttp://pt.wikipedia.org/wiki/Sugarhill_Gang)

18 de março de 2014

15 de março de 2014

Estou lendo...

A última música, de Nicholas Sparks


Às vezes me rendo aos best sellers. Não é sempre. Dessa vez, depois de comprar alguns livros em promoção no último final de ano (e dentre eles, uns três best sellers), resolvi levar comigo, a uma viagem de quatro dias, o livro A última música, de Nicholas Sparks, autor estadunidense que sempre aparece na lista dos mais vendidos, inclusive nas listas aqui do Brasil. Até aí nada demais: escritor estadunidense; best seller; muito lido por brasileiros, etc. Estranho seria um autor mato-grossense virasse best seller e, em consequência, fosse muito lido por brasileiros. Mas voltando ao foco desse post: sabe aquela sensação de que "eu já li essa história algumas vezes?" Ou: "eu já vi essa mesma história em dezenas/centenas de filmes outras vezes?". Então, foi essa a sensação que tive, como leitor, quando cheguei lá pra página 70 do livro, que se resume em: 1) adolescente chata, magoada, revoltada, sem causa (ou não); 2) grupinho de jovens que cometem bullyng; grupinho dos esportistas, malhados, bonitos, populares; grupinho de moças fúteis; 3) pessoas comendo cheeseburger com ketchup em quiosques à beira da praia; ou pessoas comendo cheeseburger, com milkshake de chocolate e batatas fritas; 4) final hiper piegas de perdão e recomeço.

É por livros assim, lidos por milhões de pessoas no mundo todo, que fico me perguntando como determinadas fórmulas prontas de narrativa são tão efetivas, já que não trazem nada de novo, nada de interessante, nada de surpreendente e, a par disso, conseguem conquistar tantos fãs, que acreditam piamente que autores como esse são uns verdadeiros gênios, quando são na verdades uns impostores que escrevem de acordo com o modelo, exatamente com fazíamos na quinta série. Lembram?

Se for para ler maaaaais uma história dos típicos adolescentes/jovens dos EUA,  que leia Carrie, a estranha, de Stephen King, publicado em 1974. O resto é cópia mal feita.

12 de março de 2014


Mais uma promoção para os seguidores da página d'O BULE no Facebook. Dessa vez será sorteado um exemplar do livro de contos/novelas MANICÔMIO, de minha autoria. Mais informações sobre a obra AQUI > http://migre.me/ie15O E para participar, entre na página ( https://www.facebook.com/obulecoletivo ) e siga as instruções da imagem abaixo. É fácil fácil!



9 de março de 2014

Aceitam um café? (Por Wigvan Pereira)


"Oi, pessoas. Aceitam um café?

Muitas pessoas me pedem dicas de leitura, mas dar dicas não é uma coisa que eu saiba fazer. Tenho cá para mim que o processo de descobrir a existência de um livro é tão prazeroso quanto a leitura. Na minha estante, os poucos livros que resistem à minha necessidade de me livrar de objetos têm histórias de como vieram parar na minha vida. (Eu sou feito de histórias, vocês sabem.)

O Manicômio de Rogers Silva também tem uma história. Primeiro, conheci por meio de uma amiga, Luana Neres, o trabalho de Nei Duclós, escritor de inteligência e sensibilidade afiadíssimas. Por meio dele, Lídia Martins, poetisa da estatura dos maiores poetas que já existiram, suas palavras têm sabor que aumenta a nossa fome - de contato.

Por meio de Lídia, conheci O Bule, site criado pelo Rogers Silva. Foi ali que comecei a me encantar por seu universo, algo de desespero e caos, uma turbulência que me era familiar. Nos extremos de suas narrativas, o humano surge em sua forma mais bela. Há muitas belezas que saltam aos olhos do leitor e que se tornam mais preciosas pelo contraste com as pedras e com a lama. De tanto colher essas belezas espalhadas pelo caminho - o encadeamento quase musical das palavras, os personagens tão possíveis e próximos que poderíamos emprestar a eles nossas próprias faces, as cenas pensadas com esmero - vamos aos poucos ficando com a alma calejada. (Como também há calos nas mãos de quem colhe rosas.)

A catarse vem depois da leitura terminada, depois de alguns goles de café ou álcool forte. Precisamos de pausa para compreendermos os sentidos escondidos em cada narrativa. Quando nos recuperamos do choque da primeira leitura, nos atiramos outra vez, e mais uma, e ainda outra... como um exercício de mergulho: aprendemos a reter o ar por mais tempo nos pulmões e, assim, podemos ir cada vez mais fundo e descobrir novas belezas no meio da escuridão desse oceano de significados".

Mais Manicômio AQUI.

7 de março de 2014

Estou lendo...

De quando você compra um livro só porque ouviu falar vagamente do autor, começa a lê-lo assim despretensiosamente e ele surpreende você: é o que está acontecendo com a leitura de O conto do amor (Contardo Calligaris) que, apesar do título, é um romance de suspense, busca e amor (embora não necessariamente o amor romântico seja o tema principal da narrativa). O livro é uma espécie de O código da Vinci, só que bem menos pretensioso, cuja trama envolve a busca de um filho pelo passado de um pai e, de quebra, artistas italianos do Renascimento. Com linguagem simples, clara e sem rodeios, funciona como um thriller policial sem polícias e bandido. Sugiro!